A gente é para o que nasce

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Eu sempre gostei de cozinhar, nos últimos anos fiz isso com um prazer a mais, afinal cozinhar era meu jeito de garantir a segurança do meu filho e o fim da alergia alimentar. Mas dentre todas as coisas nessa vida a que eu gosto mesmo de fazer é pão.

Considero que tenho alma de padeira, acho incrível como o pão pode nos fazer felizes na simplicidade, pão azeite e sal, pão com tomate e manjericão, pão com ovo, pão torrado na sopa, na salada, purinho, pão é uma unanimidade.

Quando assisti Cooked (corre lá na Netflix e vê os quatro de uma vez!) eu sabia que era no pão que eu era eu mesma, onde eu de fato era feliz, era onde eu gostaria de estar, era como eu me sentia verdadeiramente feliz, mas apesar disso ainda não tinha me realizado completamente porque não tinha um fermento pra chamar de meu.

Já havia testado algumas receitas e métodos mas não tinha ficado satisfeita com o resultado e acabava largando o fermento pra lá e ele morria. Mas não ter um fermento meu seguia me incomodando, era um pensamento que me perseguia dia e noite.

Semanas atrás eu assisti a todos os episódios de Chef`s Table e foi conclusivo, especialmente em relação ao meu negócio (eu tenho uma marca, outro dia conto), percebi os lugares onde eu não gostaria de estar, as atitudes que gostaria de ter, o que de fato era importante nessa minha caminhada de comer e cozinhar.

O último episódio me impactou tanto que decidi a voltar escrever e fazer meu fermento.

Já fiz aqui, algumas vezes, pão de malte.  Desde aquela época a cultura cervejeira cresceu muito na cidade, ganhei novos amigos e tb novos fornecedores de malte, rs.

Tinha congelado uns 2kg de bagaço de malte de uma ESB da Cervejaria Adamantine e coloquei a mão na massa. Fiz de modo semelhante a última vez, fervi uns 500g do bagaço de malte em bastante água e depois bati no liquidificador até ficar bem processado. Com 250g de bagaço coado fiz a receita do Pão pra toda obra acrescentando o malte. Deixe crescer duas vezes, ficou muito fofo e muito macio.

O restante do malte batido deixei dentro do bowl sobre a pia, por umas 24h pra fermentar, coei, descartei o bagaço e com o coado comecei meu levain. Segui a receita do Luiz Américo e depois de uma semana meu fermento estava como a primeira foto. Ele era incrível, vivo, muito vivo, e eu fiquei apaixonada. Separei 200g pra ser o fermento de uso, congelei 600g em porções de 200g e preparei 200g pra virar fermento biológico seco (já, já explico como).

Dos 200g separados, 100g guardei na geladeira pra uma próxima fornada, e as outras 100g usei pra fazer pão, uma receita muito semelhante a do pão pra toda obra, mas muito no olho, até ficar com essa consistência aqui abaixo.

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Dividi em duas porções de mais ou menos 600g, uma sovei e outro coloquei direto na forma, pra verificar se haveria diferença entre o resultado (o sem sova ficou mais aerado e mais fermentado), não queria a massa com muito gosto de levedo então deixei crescer por umas 4h só, e assei. Fiquei feliz pra caramba com o resultado.

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Ficou um pão fofo com a casca grossa, aerado mas não muito, e levemente azedinho. Mas o mais importante é que meu fermento, meu mesmo, criado por mim, ficou perfeito, segue vivo e tirou aquele incômodo que existia dentro da minha cabeça 🙂

Sobre o fermento que deixei secar. Acrescentei mais farinha e fiz pequenos “pães” do tamanho de uma castanha do pará. Esses mini-pães vão ficar secando até ficarem bem duros, depois serão pilados e esse produto esfarelado será o fermento biológico seco. Diferente do industrializado ele precisará ser hidratado e ativado para voltar ao uso e quando eu for usá-lo postarei aqui o método e o resultado.

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E aqui termino essa postagem gigante, com um sorriso no rosto e fatias de pão quentinho no prato aguardando sal e azeite pra satisfazer meu coração de padeira.

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O melhor dos pastéis

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Aqui em Conquista tem um bar que serve um pastel de shimeji que é um sonho, mas tem cream cheese e eu não tava podendo comer quando meus cunhados e sobrinhos vieram nos visitar em janeiro passado.

Mas o pastel é muito bom e queria que eles vivessem essa experiência, daí adaptei a receita e ficou muito, muito boa mesmo.

Massa pronta pra pastel (tipo coquetel), 250g shimeji fresco picado, 1/2 pimentão vermelho picado, 1 cebola picada, azeite, sal e pimenta moídos na hora e salsinha.

Numa panela, em fogo baixo, refogar a cebola no azeite, acrescentar o pimentão e shimeji, juntar o sal e a pimenta, refogar bem, Acrescentar 1/4 xícara (chá) de água e refogar até a água secar. Desligar o fogo, acrescentar a salsinha e misturar bem. Salsinha não curte o calor e deve ser sempre usada já com o fogo desligado.

Não sei quantos pontos tem, rs.

Vitória da Conquista, 2017.

Lá e de volta outra vez…

Há quatro anos, um mês e três dias atrás eu publiquei minha última receita por aqui, depois voltei pra dizer que estava grávida e que iria encerrar o blog, mas mantive no ar porque o arquivo era tão bom que não fazia sentido excluí-lo.

Em mim sempre ficou o vazio, porque nunca deixei de cozinhar mas escrever sobre comida sempre foi importante, uma forma de materializar a experiência terapêutica que a cozinha me proporciona.

O filho nasceu bem, aos 12 meses foi diagnosticado com alergia alimentar e eu pude praticar muito a arte de cozinhar já que vivemos um período em que comer só era seguro quando feito por mim.

Depois que ele se curou eu adoeci, acabei sensibilizando meu intestino e passei por um período de muitas restrições, entre uma coisa e outra engordei horrores, engordei porque não estava preocupada com o peso, porque eu cozinhava coisas muito boas, porque eu gosto de comer, porque já haviam restrições demais pra pensar no peso, por tantas outras razões que eu poderia passar a tarde digitando motivos. Me dei tempo, agora cansei, então retorno.

Retorno com novas experiências, com outras expectativas, outros hábitos, outra visão de mundo, com outras inspirações (briguei com o Jamie qdo ele se associou à Sadia e fui banida das redes sociais da Rita qdo ela desdenhou a necessidade de substituições na dieta de alérgicos), aprendi muito com muitas outras mulheres, virei ativista de um tanto de coisas e agora sou mãe, e ser mãe… ser mãe muda tudo.

Pra começarmos de maneira leve e sem nenhuma pretensão segue uma receitinha de creme de abóbora assada, que num primeiro momento todo mundo fez cara de “que coisa mais sem graça” mas depois não sobrou nadica na panela.

Creme de abóbora cabotiá assada

Fatiar a cabotiá com casca mas sem sementes, fatias de uns dois centímetros de largura (ou mais, pq abóbora é um trem difícil de cortar, rs), dispor numa assadeira de pizza, regar com azeite, temperar com sal e pimenta moídos na hora, levar ao forno alto até caramelar.

Retirar do forno e raspar a abóbora da casca,  nesse processo ela já vai se desmanchando inteirinha (ou bater com casca no liquidificador), colocar numa panela com alho refogado e deixar cozinhar até ficar homogêneo. Servir acompanhado de cebolinha (ou queijo ralado, ou gorgonzola ou pãozinho torrado) e ser feliz.

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E chegamos ao final!

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Depois de muito refletir, e por saber que já não faz mais sentido, encerro as atividades do blog.

Tô grávida, não estou contando pontos, não estou engordando além do extremamente necessário e estou feliz.

Feliz, obviamente porque serei mãe, mas feliz também por ter tido essa experiência maravilhosa de me reeducar, de me transformar em uma pessoa melhor para meu corpo.  Compreendi a diferença entre fome e vontade de comer.  Aprendii a diferenciar fome de ansiedade. Descobri novos alimentos, novas formas de preparo e sei que é possível emagrecer comendo muito bem.

Minhas atenções se voltam agora para essa fase nova da minha vida e a possibilidade de descobrir muitas outras coisas novas e boas.

 

Certamente terei um blog, mas este só virá quando o bebe começar a comer e eu puder provar que é possível alimentar uma criança com qualidade, sem comida industrializada e com variedade.

 

Mas isso é assunto pra daqui a muuuuuuuuuuuuuuuitos meses.  Abraços.

Massa ao molho de salmão e camarões

ImagemDia corrido, fui um juntar de sobras e pronto.  Almocinho saboroso e prático.

150g massa grano duro
50g salmão
50g camarões limpos
220g molho de tomate 0%gordura
Sal e temperinhos a gosto
– Enquanto a massa cozinha com sal refogue o camarão e o salmão, ao mesmo tempo, numa frigideira bem quente. Quando o salmão estiver desmanchando junte o molho de tomate, acerte o sal, junte os temperinhos (usei tomilho, cravo e canela em pó e pimenta caiena) e deixe apurar (uns cinco minutinhos fervendo).  Misture a massa escorrida e sirva imediatamente.

1 receita com 16,8 pontos
(740,8cal, 6,2gtot, 131,7carb, 37,4prot e 7,7fibra)

Vitória da Conquista, 2013

Picadinho tradicional da Rita Lobo, só que não!

ImagemEra pra ser um picadinho clássico de músculo, mas eu só tinha patinho, daí cortei bem pequeno e deu no que deu!!

180g patinho
26g cebola
2g alho
90g tomate
10g farinha de trigo
5g manteiga
10g suco de limão
Sal e pimenta a gosto
– tempere a carne com sal e pimenta e envolva completamente na farinha de trigo, reserve.  Numa panela aquecida derreta a manteiga, doure a cebola e o alho, abaixe o fogo e doure a carne, retire da panela e reserve.  Acrescente os tomates e mexa bem pra soltar a farinha queimadinha do fundo da panela, volte a carne, junte o suco de limão, cubra com água.  Tampe a panela e deixe cozinhar até amolecer (no caso do patinho, no máximo uma meia hora!).

1 receita de 7,2 pontos
(326cal, 11,2gtot, 14,8carb, 40,1prot e 1,9fibra)

Vitória da Conquista, 2013